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sábado, 2 de julho de 2011

As Sete Lagrimas de Pai Preto

Foi uma noite estramha aquela noite...
Estranha vribrações penetravam
em meu ser e me fazian ansiar
por algo que, pouco a pouco se definia...
Era um "que" desconhecido,
mas senti-o como se estivesse
em comunhão com minha alma,
e externava a sensação
de um silencioso prato...

Quem do mundo do astral,
emocionava assim meu pobre "Eu"?
Não soube, até adormecer... e "Sonhar"....
Vi meu duplo transportar-se
atraido por cânticos que falavam
de Aruanda, Estrela Guia e Zâmbi....

Eram vozes da Umbanda,
Dessa Umbanda de todos nós
que Chamava seus filhos de fé.....

E fui visitando cabanas e tendas,
onde multidões desfilavam,
mas supreso ficava ante a visão
que em cada um eu "via"...

Em um canto, pitando, um triste
Pai-Preto chorava....
Dos seus "olhos" molhados esquisitas Lágrimas desciam e
não se porque, contei-as;
Foram Sete.

Na incontida vontade de saber,
aproximei-me e interroguei-o:

Fala, Pai Preto, dize por que externas tão visivel dor?
E ele, suave respondeu:

"Estás vendo esta multidão que entra e sai?
Das Lagrimas contadas,
distribuidas estão a cada uma delas...."

" A primeira eu a dei aos indiferentes;
aos que aqui vem em busca de distração,
na curisidadede ver, de bisbilhotar...
Não crêem, nem descrêem...sabem conceber...."

"A outra, dei aos duvidosos, aos que acreditam desacreditando...

Vivem na expectativa de um "milagre" que os
façam "alcançar" aquilo que seus
próprios merecimentos negam..."

"E, Outra mais, que distribui aos maus
àqueles que somente procuram a Umbanda
em busca da vingança,
aos que desejam prejudicar seus semelhantes..."

"Pensam que nós os Guias, somos
veículos de suas mazelas,
de suas paixões e temos obrigação
de fazer o que pedem..."

"Pobres almas que da bruma ainda não sairam..."
E assim vai lembrando bem:

"A Quinta lágrima foi diretamente para
os frios e calculistas.
Não crêem nem descrêem."

"Sabem que existe uma força e procuram
se beneficiar dela de qualquer forma."

"Não conhecem a palavra Gratidão.
Negarão amanhã até que conheceram
uma casa de Umbanda...
Chegaram suaves, têm o riso e o elogio
à flor dos lábios....
São fáceis, muito faceis...."

"Se olhares bem seus semelhantes,
verás,escrito, em letras claras:
Creio na tua Umbanda, nos teus Cablocos
e no teu Zâmbi, mas somente se
vencerem o "mau caso"
ou me curarem "disso"
ou "daquilo"

"A sexta lágrima eu dei aos fúteis,aos
que andam em Tenda em Tenda...
Não acreditam em nada;
Buscam apenas o aconchego e os conchavos...
Seus olhos apresentam um interesse diferente".
"Sei bem o que eles querem..."
"E a Sétima, filho meu, notaste como foi
grande e deslizou pesada?"

"Foi a Última Lágrima,aquela que vive nos olhos
de todos os Orixás."

"Fiz doação dessa aos vaidosos cheios
de empáfia, para que lavem suas máscaras
e todos possam vê-los como realmente são:
Cegos, guias-de-cegos;
andam se exibindo com a "banda"
tal e qual mariposas em torno da luz,
essa mesma luz que eles não conseguem ver..."

"Olha-os bem;vê como suas fisionomias
são turvas e descofiadas...
Observa-os quando falam doutrinando.
Suas vozes ocas, dizem tudo
de "cor e salteado"...

"Em sua linguagem sem calor,
cantam loas aos nossos guias e protetores;
formulam conceitos de caridade,
essa mesma caridade que não fazem...
Vivem aferrados ao conforto da matéria
e à guia di vil metal...
Eles não têm convicção."

"Assim, filho meu, foi, para
esses todos que viste caír,
uma e uma, as Sete Lárimas de Pai-Preto."

E, então, com minha alma em pranto,
tornei a perguntar:
Não tens mais nada a dizer, Pai-Preto?
E, daquela "forma velha", vi um véu
saindo num clarão intenso
que ofuscava tandto,ouvi mais uma vez:

"Mando a luz da minha transfiguração
para aqueles que, esquecidos,
pensam que estão..."

"Eles formam a maior parte
dessas multidões....
São os humildes, os simples
e estão na Umbanda pela Umbanda,
na confiança pela razão...
Sãos os seus filhos de Fé...
São, tambem, os "aparelhos"
trabalhadores e silenciosos,
cujas ferramentas chamam-se Dom e Fé
e cujo salário de cada noite
é pago quase sempre com uma só moeda
que traduz o seu valor
em uma só palavra: Ingratidão."


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